quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Memórias póstumas


Estou descobrindo uma curiosa e doída emoção que se manifesta ao fim de um casamento: a saudade. Saudade de todas as coisas boas que se tinha, e às vezes nem se dava bola. Por incrível que pareça, as memórias "ruins" estão soterradas em nem sei que lugar, e vivo esse sentimento "lacrimoso" de rememorar os bons momentos, sentindo a sua falta e sabendo que fatalmente não retornarão. Ver meu filho com freqüência é ótimo, mas não é o mesmo que estar com ele e minha ex-esposa (que prefixo difícil de aceitar) em nossa rotina do dia-a-dia, como uma família que éramos... É desse sentimento de família que sinto falta, me sinto órfão... Essa saudade é doída, pesada como o arrastar de correntes... Não sei quando me libertarei desse sentimento, mas de uma coisa tenho certeza: apesar da dor, sinto tudo isso como legítimo e positivo; chorar de saudades é mais nobre do que se recriminar pelos fracassos que levaram tudo a não dar certo.

1 comentários:

Marcelo Simas Pereira disse...

Dissestes tudo nestas palavras, meu irmão! Chorar de saudades é mais digno que recriminar-se por culpas e perdas. Todo mundo já sentiu isso alguma vez na vida e inevitavelmente sentirá uma vez mais, se tiver tempo de vida suficiente para tanto.
Ser humano é sentir. Enquanto sentimos, somos e pulsamos. Isso é estar vivo!