quarta-feira, 11 de julho de 2018

Talvez

Talvez, num dia a toa
O meu coração me leve
Me leve em uma paixão
Me leve por um ideal
Ou simplesmente por mal
Mal-subito
Porque, amigos,
O coração pode tudo.

A Tristeza

Rainha dos meus dias
Pareces te impor,
Agora, mais e mais
Nesse gélido e umido frio
Que, aqui em Porto, faz...
Na ausência dos amigos
Sequer dos conhecidos
Na falta do que é simplesmente humano...
Silêncio soberano.
Hoje, num só dia, envelheci alguns anos
E o sangue que me corre nas veias
É o mesmo que oxida, me fenece e decompõe.
Lentamente. Lamentavelmente.
Tempo...
O fim
É só uma questão de tempo
Enquanto isso, eu sigo,
Atônito e mudo
Tentando achar qualquer sentido
Nisso tudo
E, se sentido existe
Ora, no fim
É conformar-se em ser triste
E é o prêmio
Que sobrou pra mim...

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Sumidouro

Não quero mais nada
Apenas viver, sem deixar pistas
Mero viajante
Espectador anônimo...
Quero correr e apagar meus rastros
Ver como o fogo da terra arrasada
Lembra um quê do fulgor dos astros
Permitam-me ser um misantropo
Inclusive nas redes sociais
E ter a minha lista de bloqueados
Maior que a soma dos amigos, conhecidos e quetais...
Quero sumir num sumidouro.
Fazer do meu viver
O exercício diário do meu esquecimento
Já que não pude ser nada
Mergulho em meu nada...
Nado na amnésia da eternidade
E fico assim
Um som distante de uma história
Que quase ninguém vai lembrar
No fim.
Já não resta talento, requinte ou apuro
É só sofrimento puro.

domingo, 11 de março de 2018

O mendigo do tempo

Então, minha vida era estar sentado
Em tua imensa e movimentada avenida
E estender o meu chapéu puído aos teus transeuntes
Mendigando um pouco mais de tempo
Só mais alguns dias, semanas e meses
Sequer falo em anos
Que já nem estão mais em voga
Para quem vive um dia de cada vez
E como se fosse o último
Mas olha!
E não é que meu chapéu está pleno de novo
De abençoadas esmolas!
Já não terei que abreviar meu viver tão cedo
Pois daqui dessa esquina se avizinham
Momentos mágicos com meu filho
Muitas leituras e pensamentos
Nenhuma inspiração que não tenha nobre motivo
Pois somente o amor e a arte justificam meu viver
Agora, uma vez mais, tudo faz sentido
E sigo assim, mendigo do tempo,
Colhendo fagulhas de luminosos momentos
Andarilhando os ponteiros do relógio...

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Trocas

Depois desse Natal
Percebo que estou quebrado
Haverá uma seção de trocas amanhã?

Verás que um filho teu?

Me sinto pequeno e impotente
Diante de tantas das tuas injustiças
Ó pátria armada...
Não tenho como defender-te...
Ou de ti defender-me, melhor dizendo
Só resta mesmo perecer-me
À própria morte
À própria sorte...

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Febre

Queimo
O desejo em meu peito
Penetra meu sangue
Viaja em minhas veias...
Sou eu mesmo
O passageiro desse doce delírio...
Tremo
Minhas mãos não param quietas
Como poder te tocar, então?
Ardo em febre
Pela ardente vontade
Do teu beijo
Vem logo, por favor,
Ligeiro, me pega ainda com vida
Que o estado desse amor
Que apenas inicia
(Ardendo em febre)
Já é quase terminal...

domingo, 15 de outubro de 2017

Única certeza

Tristeza não tem fim
A Morte? Sim.
A Morte é o fim...

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

O que ficou

O amor foi para mim
Tal qual um veneno forte
Sorvi de todo frasco, até o fim
Agora ficou-me só a Morte.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Imitador

Quando pequeno
Queria ser imitador
Hoje imito a dor
Tão convincentemente
Que já nem sei o que é teatro
Nem o que é normal
Cuidado com os sonhos de infância
Eles podem se tornar reais.