sábado, 12 de novembro de 2011

Enfermo


Agora que todas as coisas
Foram
Só restam caminhos
Ermos
Éramos três
Hoje resto menos
Que um...
Enfermo
Acordo tarde,
Deito à tarde
Esperando chegar
A nova noite
Pois só o sono tudo
Dissolve.
A mente revolvem
Culpas e expectativas
Perdidas
Devo tomar medidas
Drásticas
Para romper essas correntes
Erráticas...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Memórias póstumas


Estou descobrindo uma curiosa e doída emoção que se manifesta ao fim de um casamento: a saudade. Saudade de todas as coisas boas que se tinha, e às vezes nem se dava bola. Por incrível que pareça, as memórias "ruins" estão soterradas em nem sei que lugar, e vivo esse sentimento "lacrimoso" de rememorar os bons momentos, sentindo a sua falta e sabendo que fatalmente não retornarão. Ver meu filho com freqüência é ótimo, mas não é o mesmo que estar com ele e minha ex-esposa (que prefixo difícil de aceitar) em nossa rotina do dia-a-dia, como uma família que éramos... É desse sentimento de família que sinto falta, me sinto órfão... Essa saudade é doída, pesada como o arrastar de correntes... Não sei quando me libertarei desse sentimento, mas de uma coisa tenho certeza: apesar da dor, sinto tudo isso como legítimo e positivo; chorar de saudades é mais nobre do que se recriminar pelos fracassos que levaram tudo a não dar certo.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Procura-se


Procura-se o homem que escreveu os posts desse blog, algum dia... Estive relendo várias das minhas criações e, às vezes, fica difícil acreditar que já lidei com tanta inspiração, tanta vivacidade com as palavras... A mesma vida que fornece tão lindo mosaico é a que bloqueia o impulso criativo. Hoje estou vendo o mundo de uma tela em preto-e-branco, tentando resgatar parte do que sou. Às vezes fico na dúvida se vale a pena insisistir. Se alguém encontrar o escritor que um dia fui, peça-lhe para voltar a escrever aqui imediatamente; esse que ficou em seu lugar nada mais é que um amador. Talvez, por isso, insista.

sábado, 22 de outubro de 2011

Exílio


Meus caminhos não são mais
Os mesmos
Minha casa é estranha
Estranho é o que me encara,
No espelho
Tudo que fazia algum sentido
Eu deixei para trás
Atrás de algum sentimento
Perdido
Exilado, dorido,
Só me sobrou o lamento
E o ruído assustador
Do vento...
Mesmo as coisas ruins
Me fazem falta
E as boas?
Elas tem todo o valor
Que eu não sabia dar
Quando as possuia...
Todos me dizem
Ser só uma fase
Mas será que isso passa
Antes que tudo passe
Para mim?

Preciso urgentemente fazer algum sentido...

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O homem decomposto


O que sobra de nós
Mesmos
Quando tudo o que temos
São as sobras?
Assim me sinto
Se perguntarem como vou,
Minto
Pois minhas misérias
Só a mim interessam...
E das coisas que me
Restam
Faço um esforço,
Homem decomposto,
Para me erguer em duas pernas...
Vã tentativa de viver, externa
Quando o que se tem dentro
Clama por paz, eterna...
Assim, sem um alívio
Persigo
A inalcançável utopia
De ser inteiro
De novo, algum dia...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Identidade


Perdi minha identidade
Numa esquina de julho
De um dia qualquer...
Nesta segunda via
Sequer me reconheço;
Estranho recomeço...
Eu costumava ser mais triste,
Talvez mais perspicaz também.
Agora sou a cópia
Da cópia...
Importa se autenticada?
Nada...
Se alguém por acaso encontrar
Minha originalidade
Perdida
Gratifica-se
Com um gesto espontâneo...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Ex-perança...


Sob a forte chuva
Já não sentia nada.
Seus sonhos derretiam,
Torrenciais
Nas torrentes...
As águas lavavam
Até
Suas lágrimas
Mais copiosas...
Restava, ainda
O incômodo
Da desagradável
Sensação
De estar
Vivo
Não acompanhada, sequer,
Por uma ex-perança...

O menino do pijama listrado


Do céu estrelado
Caiu a estrelinha
A qual, o menino,
Grudou em seu pijaminha...
Para brilhar igual
A todas as gentes
Ou para voar,
Quem sabe,
A outras paragens,
Ou outras vidas
Diferentes...

Vida! Nunca esqueço que és uma prisão
Cercada por estrelas...

L'Aventura - Legião Urbana


Quando não há compaixão
Ou mesmo um gesto de ajuda
O que pensar da vida
E daqueles que sabemos que amamos?

Quem pensa por si mesmo é livre
E ser livre é coisa muito séria
Não se pode fechar os olhos
Não se pode olhar pra trás
Sem se aprender alguma coisa pro futuro

Corri pro esconderijo
Olhei pela janela
O sol é um só
Mas quem sabe são duas manhãs

Não precisa vir
Se não for pra ficar
Pelo menos uma noite
E três semanas

Nada é fácil
Nada é certo
Não façamos do amor
Algo desonesto

Quero ser prudente
E sempre ser correto
Quero ser constante
E sempre tentar ser sincero

E queremos fugir
Mas ficamos sempre sem saber

Seu olhar
Não conta mais histórias
Não brota o fruto e nem a flor

E nem o céu é belo e prateado
E o que eu era eu não sou mais
E não tenho nada pra lembrar

Triste coisa é querer bem
A quem não sabe perdoar
Acho que sempre lhe amarei
Só que não lhe quero mais

Não é desejo, nem é saudade
Sinceramente, nem é verdade

Eu sei porque você fugiu
Mas não consigo entender
Eu sei porque você fugiu
Mas não consigo entender...

(A Tempestade ou O Livro dos Dias - 1996)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Entreguerras


Entre a calamidade
E o fim das eras
Estava a espera...
Um tampão entre mortes
O vácuo
Entre as areias
Do tempo
Os trapos a cobrirem
O relento
A cor pálida
Que precede o sangue...
Oh! Que expectativa
Devemos cultivar
Pelo nosso futuro?
Se hoje, todo o fosco,
Precede o que é escuro?